Publicado 17 de dezembro de 2013 por Marketing. Atualizado 00:57.
O óvulo, por ser uma célula muito grande, tinha um alto índice de perda no processo de congelamento e descongelamento lento, e pesquisadores procuraram minimizar o problema desenvolvendo novas técnicas de preservação. A vitrificação mostrou ser a técnica ideal para este gameta, proporcionando índices acima de 95% de sobrevivência ao processo.
O congelamento lento, demora de 120 a 180 minutos para ser realizado, eficaz para a preservação de embriões, não é eficiente quando utilizado para óvulos, perdia-se muito material devido à formação de cristais de gelo no seu interior levando a precárias taxas de recuperação após descongelamento.
O uso da nova técnica impede a formação de cristais de gelo pela utilização de grande concentração de crioprotetores (substâncias que ajudam a manter a estrutura da célula intacta durante o processo) e o congelamento é muito rápido durando cerca de um segundo. Até 95% dos óvulos vitrificados superam este processo, e atualmente também está sendo aplicada para os embriões com sucesso.
O processo é seguro, o índice de malformações entre as crianças nascidas é de 2,5%, porcentagem comparável ao de nascimentos naturais ou por fecundação in vitro.
As vantagens são muitas:
Mulheres diagnosticadas com câncer que irão submeter-se à quimioterapia poderiam vitrificar seus óvulos antes do tratamento, uma vez que a fertilidade dessas pacientes pode ser afetada e existe o risco de tornarem-se estéreis.
Possibilidade de armazenar óvulos em um banco de óvulos, assim como se faz há muitos anos com o sêmen, facilitando o processo de ovodoação.
Armazenar óvulos, ao invés de embriões, resolveria o dilema de casais que não se sentem confortáveis com esse fato.
Mulheres que queiram apenas preservar a fertilidade podem congelar seus óvulos, quando ainda são jovens, para utilização no momento em que decidam gestar, sem preocupação com a idade reprodutiva na ocasião. Os óvulos podem ser fecundados in vitro, e os embriões obtidos transferidos ao útero com a mesma probabilidade de gestação que tinha no momento do congelamento.
Hoje existem clínicas de fertilização estocando mais de 5 mil embriões esquecidos, sem permissão legal para descarte. Já o descarte de óvulos é permitido.
A técnica está em uso nas clínicas de reprodução há 3 anos e, por ser uma novidade, não há dados que demonstrem o tempo de viabilidade de preservação dos óvulos vitrificados, porém se utilizarmos por comparação o congelamento de embriões, consideramos que poderiam permanecer congelados intactos por um longo período.